Esses dias acordei às 05h da manhã, como sempre faço, para meditar, responder aos alunos e fazer minha atividade física diária. Estava frio e a cama muito convidativa. Imediatamente minha mente se encheu de pensamentos sabotadores e eu fiquei me questionando o motivo dos meus esforços.

“Pra quê fazer isso agora? Por que não deixar para mais tarde? Eu preciso realmente passar por isso? Gostaria tanto que fosse diferente”?

Consciente de que estava perdendo a guerra pra mim mesmo, decidi abraçar de vez o desconforto. Ao invés de negar a realidade (fria, por sinal), passei a aceitá-la e, com menos esforço que o usual, levantei-me e fui para o meu banho.

Tenho certeza que você, por diversas vezes, ao sentar para estudar, já passou por situação semelhante. Você se dirigiu para a escrivaninha, mas duvidou de sua capacidade ou de que todo aquele esforço renderia algum fruto. Você rotulou a matéria como difícil ou chata e ao, invés de abraçar o desconforto, você o negou, fugiu e procurou por algo mais fácil para fazer, como mexer no celular ou ver sua série de TV favorita. No dia seguinte, sofreu com a ressaca da indisciplina e tentou justificar para você mesmo porque não conseguiu.

Eu também já fiz isso e me senti mal, assim como você. Mas aprendi que a indisciplina surge do nosso julgamento. Você foge de situações “ruins” e tende a se aproximar de situações “boas”. Mas não há bom ou ruim. Não há matéria difícil ou fácil. Há apenas a matéria. O julgamento é por sua conta. E esse julgamento é a ruína da sua disciplina, pois, ao rotular fatos e objetos, você se vê obrigado a escolher entre duas realidades: a dura, representada pelos estudos, ou a boa, representada pelo sofá, pelo smartphone ou, no meu caso, pela cama quentinha.

Quando você não julga, você não nega, pois a negação é o produto de um julgamento imparcial. E toda negação da realidade gera sofrimento. Eu neguei o frio e você, provavelmente, os livros. Ao julgar e negar fomos obrigados a escolher. E se escolhermos errado, sofremos por isso.

Quando estiver estudando, ao invés de negar a realidade, tente isso por alguns segundos. Pare o que está fazendo, retome a consciência e preste atenção aos objetos ou pessoas ao seu redor. Não julgue, nem imagine como você gostaria que fosse. Apenas faça um esforço para enxergar a realidade como ela realmente é. Não rotule a matéria, o livro ou a banca. Apenas presencie o momento. E leia. E respire. De forma vigilante e disciplinada. Não há esforço em suas ações. Há apenas a ação. Quando você menos notar, você terá cumprido sua meta. E terá orgulho de si mesmo. E irá querer sentir isso amanhã novamente. Porque é bom e traz uma paz verdadeira, que somente os verdadeiros guerreiros sentem ao sair do campo de batalha. A paz do dever cumprido.

Essa é a verdadeira disciplina. De fazer o que preciso ser feito, mas sem tortura mental.

Em momentos de desespero, as pessoas tendem a confundir disciplina com euforia. Mas essa não é a verdadeira disciplina. Pois a euforia passa e para de alimentar sua vontade. A verdadeira disciplina é calma, serena, constante e uma exclusividade dos que abraçam o desconforto, porque não o julgam.

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Autor(a): Professor Igor Oliveira

Igor Oliveira é servidor público federal, Analista Técnico da SUSEP. Foi oficial fuzileiro naval e piloto de helicóptero na Marinha do Brasil. Igor faz parte da equipe da coordenação do Ponto dos Concursos.

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