Olá, pessoal!

Seguem os comentários relativos à prova de Língua Portuguesa. Vislumbrei possibilidade de recurso, estão todas marcadas de vermelho…

1. No primeiro parágrafo, os parênteses foram empregados para isolar palavras cuja função é explicar o sentido do elemento que imediatamente lhes antecede.

Item errado.

Salvo melhor juízo, entendemos que há possibilidade de recurso a fim de tornar o gabarito como certo. Os termos entre parênteses funcionam como apostos explicativos dos termos que lhes estão imediatamente antes, a saber: “dignidade” e “quantificação”.

2. Seria mantida a coerência do texto se o trecho “a partir das” (l.8) fosse substituído ou por com base nas ou por desde as, embora essas duas expressões tenham sentidos distintos.

Item certo.

A questão aborda o significado contextual de palavras e expressões. Nota-se que não surgiria nenhuma incoerência textual com as tais substituições.

3. Seria mantido o sentido do texto caso o trecho “que proíbem que uns prejudiquem aos outros” (l. 12 e 13) fosse reescrito da seguinte forma: o que impossibilita que uns e outros se prejudiquem.

Item errado.

No trecho original, são as leis da natureza (retomadas pelo pronome relativo “que”) as responsáveis pela tal proibição. Na reescritura, o fator impeditivo passa a ser o fato de todos estarem sujeitos às mesmas leis. Ainda: a rigor, proibir que algo ocorra traz a ideia de que esse algo seja, em alguma medida, possível de acontecer. Já o verbo impossibilitar transmite a ideia de negação (por meio do prefixo “im-”) da existência de tal possibilidade.

4. No terceiro parágrafo, com o emprego de “porém” (l.17), o autor expressa uma oposição entre a ideia de “racionalização e secularização” (l.16) do conceito de dignidade humana e a manutenção da “igualdade de todos os homens em dignidade e liberdade” (l. 17 e 18).

Item errado.

Salvo melhor juízo, a compreensão das ideias contidas no terceiro parágrafo permite-nos admitir a relação de oposição entre as orações coordenadas articuladas pela conjunção “porém”, tal como explicitada pelo examinador. Assim sendo, entendemos haver a possibilidade de o gabarito ser alterado para certo.

5. O texto é essencialmente dissertativo-argumentativo e nele o autor expressa sua opinião a respeito do assunto tratado.

Item certo.

Talvez a questão mais difícil e (ou) polêmica da prova. Aliás, já há quem esteja formulando seu recurso contra o gabarito preliminar da banca. Mas precisamos compreender o que é um texto argumentativo. Este se caracteriza, basicamente, pela defesa de um ponto de vista ou pelo questionamento de uma determinada realidade. Note que o autor se vale desse recurso na parte final do texto, questionando o debate acentuado sobre a universalidade dos direitos humanos. Observe que, para Boaventura, existe uma incoerência entre a dimensão desse debate e os pressupostos sobre direitos humanos apresentados no primeiro período. Por meio dessa técnica, o autor tenta persuadir a opinião do seu interlocutor a respeito do mesmo assunto.

6. Mantendo-se a correção gramatical e os sentidos do texto, o último período poderia ser reescrito da seguinte forma: Considerando esses pressupostos como obviamente ligados a noção ocidental de dignidade humana, que se diferencia das de outras culturas, a pergunta a ser feita é: porque a universalidade dos direitos humanos é uma questão que tornou-se tão inflamadamente debatida?

Item errado.

Nota-se que o sentido é diferente. Mas poder-se-ia chegar rapidamente à resposta observando, pelo menos, o emprego da conjunção causal/explicativa no lugar de por que na formulação da pergunta. Aponto ainda outros problemas de ordem gramatical a ausência do acento grave em “ligados a noção” e a ênclise em “que tornou-se”.

7. Infere-se do primeiro parágrafo que, para a autora, escrever foi uma espécie de processo terapêutico.

Item certo.

A resposta pode fundamentar-se nos seguintes trechos: “Não havia outra solução a não ser escrever” e “Era preciso colocar no papel e compartilhar a dor daquelas pessoas” (l. 8-10).

8. No terceiro parágrafo, fica clara a importância da linguagem nas audiências judiciais, momento em que as vítimas têm a oportunidade de desabafar, e os juízes, como a autora do texto, de lhes explicar o trâmite da ação.

Item errado.

No terceiro parágrafo não consta a segunda parte da assertiva formulada pelo examinador, a de que os juízes explicam para as vítimas o trâmite da ação.

9. O trecho “juízes, promotores e advogados” (l. 25 e 26) explica o sentido de “nós” (l.25).

Item certo.

O caso aqui tem a ver com um tipo de aposto (o enumerativo), a fim de explicitar a representatividade do pronome “nós.

10. A alteração da forma verbal “deixavam” (l.11) para o singular — deixava — não comprometeria a correção gramatical do período em que tal forma aparece, mas modificaria seu sentido original.

Item certo.

No singular, o verbo teria como sujeito a termo “a dor” (l. 10). Isso alteraria o sentido do texto, mas respeitaria as normas gramaticais vigentes. A forma verbal “deixavam” concorda com o termo “daquelas pessoas”, retomado pelo pronome relativo “que”.

11. Haja vista os órgãos interlocutores da comunicação, o expediente apresentado é um ofício.

Item certo.

Lembre-se de que ofício é expedido por autoridade competente que não seja ministro de Estado e tem como finalidade o tratamento de assuntos oficiais pelos órgãos da Administração Pública entre si e também com particulares.

12. O emprego de Vossa Excelência no campo de indicação do destinatário é considerado inadequado.

Item certo.

O correto seria “Sua Excelência”.

13. De acordo com as recomendações pertinentes ao emprego de vocativos em correspondências oficiais, o vocativo Excelentíssimo Presidente está incorreto, razão por que deveria ser substituído por Excelentíssimo Senhor Presidente.

Item errado.

O vocativo “Excelentíssimo Senhor + Cargo” é empregado apenas para os presidentes de um dos Poderes. Para as demais autoridades, o vocativo é “Senhor + Cargo”.

14. O uso da primeira pessoa no expediente hipotético apresentado não viola a recomendação de impessoalidade da linguagem em comunicações oficiais.

Item certo.

A impessoalidade decorre, basicamente, de três aspectos: I) ausência de impressões individuais de quem comunica (embora o expediente seja redigido e assinado por alguém competente, é sempre em nome do Serviço Público que é feita a comunicação); II) impessoalidade de quem recebe a comunicação (esta pode ser dirigida a um cidadão – sempre concebido como público – ou a outro órgão público; em ambos os casos, temos um destinatário concebido de forma homogênea e impessoal); e III) caráter impessoal do próprio assunto tratado (questões que dizem respeito ao interesse público, sem conter um tom particular ou pessoal).

15. O fecho empregado na comunicação em apreço está correto, uma vez que, no caso, os interlocutores são ocupantes de cargos de igual hierarquia.

Item errado.

Para autoridades de mesma hierarquia, o fecho correta é “Atenciosamente”.

Abraços!

Professor Albert Iglésia.

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Autor(a): Professor Albert Iglésia

É graduado em Letras pela Universidade de Brasília (UnB) e tem especialização em Língua Portuguesa. Ministra aulas voltadas para concursos públicos desde 2001. Iniciou suas atividades como professor no Rio de janeiro. Atualmente, leciona aulas de interpretação de texto, gramática e redação oficial em alguns cursos preparatórios em Brasília. Além disso, é professor do ensino médio de um colégio público federal no DF. Já atuou como instrutor da Esaf, da Casa Civil da Presidência da República e de outras instituições voltadas para a capacitação de servidores públicos.

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