Olá, pessoal!

Seguem os comentários relativos à prova de Língua Portuguesa. Não vislumbrei possibilidade de recurso.

1) Depreende-se do texto que o debate acerca da justiça organiza-se em torno de parâmetros básicos, mas que não há consenso quanto ao conceito de justiça e às formas concretas para alcançá-la entre filósofos e cientistas políticos do século XX.

Item certo.

A resposta pode ser fundamentada nas linhas 8 a 13,. Nelas, podemos ler, por exemplo, que “O debate se enquadra em torno de três principais ideias: bem-estar; liberdade e desenvolvimento; e promoção de formas democráticas de participação”. Além disso, lemos que “Autores importantes do campo da ciência política e da filosofia política e moral (…) chegaram a conclusões diversas uns dos outros”.

2) Para o autor do texto, uma correta definição do termo justiça e a compreensão de sua manifestação social são imprescindíveis para que se possam traçar soluções adequadas a cada tipo de sociedade.

Item errado.

O autor apresenta ideias de outros teóricos sobre o assunto, não necessariamente as dele próprio.

3) Os autores mencionados no segundo parágrafo apresentam ideias contrárias acerca da noção de injustiça: Amartya Sem a relaciona à liberdade na sociedade; Rawls entende injustiça como uma questão de contratos civis; e Habermas, como uma manifestação linguística e de ação coletiva.

Item errado.

Ao afirmar que o segundo autor concebe a injustiça como “uma questão de contratos civis”, o examinador – no mínimo – cometeu um erro denominado de reducionismo. Para Rawls, a questão é mais ampla, basta reler o trecho “ela [a injustiça] se manifesta principalmente nas estruturas básicas da sociedade e sua solução depende de uma nova forma de contrato social e de uma definição de princípios básicos que criem condições de promoção de justiça” e notar as conjunções aditivas somando ideias relacionadas à noção de injustiça.

4) O verbo enquadrar, no trecho “O debate se enquadra em torno de três principais ideias” (l.8), foi empregado com o sentido de circunscrever.

Item certo.

O sentido é o mesmo: “estar entre”, “estar em torno de e limitado por”.

5) A expressão “estado de coisas” (l.17) refere-se a “situações de justiça social” (l.16).

Item certo.

Trata-se de coesão textual anafórica. No fim do primeiro parágrafo, por meio da expressão destacada, o enunciador retoma justamente “situações de justiça social”.

6) Embora haja semelhança de sentido entre os verbos divergir e diferir, a substituição da forma verbal “divirja” (l.14) por difere prejudicaria a correção gramatical do texto.

Item certo.

O prejuízo gramatical repouso no fato de o verbo diferir não poder ser empregado no presente do indicativo: difere. Ele deveria ser flexionado no presente do subjuntivo: “difira”.

7) O sujeito da forma verbal “têm” (l.16) está elíptico e retoma “cada um desses autores” (l.14).

Item errado.

Com acento circunflexo, o verbo ter requer como sujeito um termo correspondente à terceira pessoa do plural. Assim sendo, ele não pode concordar com a expressão “cada um desses autores”, cujo núcleo é “um”. Na verdade, o sujeito elíptico é o pronome “ele”, o qual retoma “autores”.

8) Nos trechos “se debruçaram” (l.11) e “se chegar” (l.17), a partícula “se” recebe classificações distintas.

Item certo.

O primeiro “se” é parte integrante do verbo e está longe de indeterminar o sujeito dele. Aliás, quem é que se debruça? Claro está que os autores se debruçam. Porém o segundo “se” classifica-se como índice de indeterminação do sujeito.

9) A correção gramatical e os sentidos do texto seriam preservados se o seu último período fosse reescrito da seguinte maneira: Em síntese, os autores argumentam a favor de instrumentos variados para a solução da injustiça e dependem da interpretação de cada um desses instrumentos relativos ao conceito de justiça.

Item errado.

No trecho original, “instrumentos variados para a solução da injustiça” (representados pelo pronome relativo “o qual”) é que dependem da mencionada interpretação. Já na reescritura, são os autores que dependem.

10) A correção gramatical do texto seria mantida caso se empregasse o acento indicativo de crase no vocábulo “a” em “a esse estado de coisas” (l.17).

Item errado.

Antes de nome masculino não se usa crase. Antes dos pronomes esse(a), este(a) e isto também não.

Abraços!

Professor Albert Iglésia.

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Autor(a): Professor Albert Iglésia

É graduado em Letras pela Universidade de Brasília (UnB) e tem especialização em Língua Portuguesa. Ministra aulas voltadas para concursos públicos desde 2001. Iniciou suas atividades como professor no Rio de janeiro. Atualmente, leciona aulas de interpretação de texto, gramática e redação oficial em alguns cursos preparatórios em Brasília. Além disso, é professor do ensino médio de um colégio público federal no DF. Já atuou como instrutor da Esaf, da Casa Civil da Presidência da República e de outras instituições voltadas para a capacitação de servidores públicos.

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