Olá, prezado leitor!

Hoje eu me deparei com a seguinte notícia, no jornal “Correio Braziliense” (https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2020/07/23/interna_politica,874601/moraes-envia-noticia-crime-contra-bolsonaro-eduardo-e-flavio-a-pgr.shtml): “O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou, nesta quinta-feira (23/7), a Procuradoria Geral da República (PGR), uma notícia-crime contra o presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ)”.

Confesso que fiquei confuso inicialmente, achando que o ministro encaminhou, além de “uma notícia-crime”, também “a Procuradoria Geral da República”. Então, parei e pensei: ele encaminhou tudo isso a quem? Será mesmo que ele conseguiu encaminhar a própria PGR a alguém ou a algum lugar? Estanho!

Bem, na verdade houve um erro por parte de quem redigiu o texto. E eu eu sei que você, prezado leitor, também já deve ter percebido o equívoco: faltou o acento grave indicativo de crase em “a Procuradoria Geral da República”. Isso é explicado porque o verbo encaminhar foi usado como bitransitivo (encaminhar algo a alguém). O termo “uma notícia-crime…” funciona como seu objeto direto, já o termo “a Procuradoria Geral da República” funciona como objeto indireto dele. Acontece que esse verbo exige a preposição a para reger seu complemento indireto, o que faz surgir a contração entre a (preposição) e a (artigo feminino), ensejando a crase: à. Observe: “O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou, nesta quinta-feira (23/7), à Procuradoria Geral da República (PGR), uma notícia-crime…”.

Existe uma dica legal para você comprovar rapidamente a necessidade do emprego do acento grave indicativo de crase nesse e em outros segmentos: se usamos ao(s) para o masculino, usamos à(s) para o feminino. Experimente: “…encaminhou, nesta quinta-feira (23/7), ao professor, uma notícia-crime…” / “…encaminhou, nesta quinta-feira (23/7), à Procuradoria Geral da República (PGR), uma notícia-crime…

Eu e você sabemos que ainda há problema quanto à correção gramatical nesse trecho analisado, mas isso será comentado em outra ocasião, pois nosso foco agora é a crase. E por assim ser, vamos analisar abaixo uma questão de prova de concurso envolvendo esse conhecimento.

(FCC – 2019 – Câmara de Fortaleza/CE – Revisor) Substituindo-se o segmento sublinhado pelo que se encontra entre parênteses, o emprego de crase está correto em:

a)    recusaram as regras que os obrigariam a se comportar (à agirem) como velhos.

b)    um projeto de vida que dê significado à existência (à nossas vidas)

c)    dão novos significados ao envelhecimento (à velhice)

d)    são inúmeros os problemas relacionados ao processo de envelhecimento (à questões relacionadas ao envelhecimento)

e)    se existe algum caminho para chegar à última fase da vida (à idades avançadas) de uma maneira mais plena

Comentário – Alternativa A: errada. A crase não ocorre diante de verbo. Este até admite a preposição a antes dele (“Estou a estudar; Começou a correr), mas não o artigo feminino a, que seria a outra condição para o surgimento dela.

Alternativa B: errada. A crase não ocorre na estrutura SINGULAR (“à”) + PLURAL (“nossas”). Nota-se nela apenas a preposição a. O artigo a, se houvesse, teria que ser flexionado no plural (a + as = às).

Alternativa C: certa. Tenha em mente a seguinte dica: se você usa ao(s) diante do masculino, deve usar à(s) diante do feminino. Veja: “dão… ao envelhecimento”. Então: “dão… à velhice”. Assim, fica notório que o termo regente requer a preposição a (dão a quem?);e o termo regido (“velhice”) é acompanhado de artigo a.

Alternativa D: errada. A crase não ocorre na estrutura SINGULAR (“à”) + PLURAL (“questões”). Nota-se nela apenas a preposição a. O artigo a, se houvesse, teria que ser flexionado no plural.

Alternativa E: errada. A crase não ocorre na estrutura SINGULAR (“à”) + PLURAL (“idades”). Nota-se nela apenas a preposição a. O artigo a, se houvesse, teria que ser flexionado no plural.

Gabarito – C.

Professor Albert Iglésia (Língua Portuguesa – julho/20)

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Autor(a): Professor Albert Iglésia

É graduado em Letras pela Universidade de Brasília (UnB) e tem especialização em Língua Portuguesa. Ministra aulas voltadas para concursos públicos desde 2001. Iniciou suas atividades como professor no Rio de janeiro. Atualmente, leciona aulas de interpretação de texto, gramática e redação oficial em alguns cursos preparatórios em Brasília. Além disso, é professor do ensino médio de um colégio público federal no DF. Já atuou como instrutor da Esaf, da Casa Civil da Presidência da República e de outras instituições voltadas para a capacitação de servidores públicos.

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