Olá, pessoal!

Hoje dividirei com você uma técnica, melhor dizendo, um hábito que me acompanha por toda minha vida. Esse hábito, em minha opinião, é o que divide os grandes escritores daqueles que têm problemas para redigir. Não que eu seja um grande escritor, claro, mas creio que todo grande escritor tenha esse hábito (ainda que nem todos que têm esse hábito sejam grandes escritores – meu caso).

As regras da gramática podem ser estudadas nos manuais e aulas da matéria. O aluno estuda a regra em abstrato, como, por exemplo: todas as proparoxítonas são acentuadas. Ao saber a regra abstrata, diante de uma proparoxítona, percebe que tem que acentuar. Seria o método dedutivo – a partir da regra geral, sabida, extrai-se a aplicação específica.

Ocorre que existe outra forma de aprender gramática, a meu ver, muito mais eficiente e natural. O método indutivo. O aluno, diante de uma proparoxítona acentuada, e outra, e outra, percebe que todas elas o são. A partir de exemplos particulares, chega-se à regra geral. É o caminho oposto.

Acredite: para redigir, o método indutivo é muito mais eficiente que o dedutivo. Por um motivo simples: ele fica “ligado” o tempo todo, quase como uma habilidade passiva do aluno. O estudo não acontece apenas quando se senta diante dos livros. Em pé, no ônibus, ou lendo uma placa, o aluno estuda indutivamente.

Essa forma de estudar pode ser chamada também por outro nome: curiosidade científica. Não é exatamente uma forma de estudar, na verdade, é mais uma postura diante do mundo. Ver o que lhe cerca de uma forma curiosa, se deixando instigar por aquilo que chama atenção. Refletir sobre o que vê, pensar nas causas e consequências de tudo. Como aquilo chegou ali, por quê? Os grandes pensadores da humanidade, todos eles, são assim (ou eram). Essa curiosidade acerca do mundo é o grande motor do conhecimento.

A partir de hoje, você começará a ter uma postura de concentração em qualquer leitura. Respire dois segundos antes de começar e, quando começar a ler, procure não pensar em mais nada, apenas nas palavras. Não tire os olhos do papel. No começo, isso vai durar segundos, mas, com o tempo, sua capacidade de concentração aumentará. Chega uma hora em que parar de ler se torna semelhante ao ato de acordar, você experimenta uma pequena confusão, um “onde estou?” curto, por voltar à realidade. Ninguém percebe que está totalmente imerso em uma atividade durante ela. É logo depois, quando a pessoa se toca de que não teve consciência do resto do mundo por segundos, ou minutos, ininterruptamente. É muito legal quando isso começa a ocorrer com frequência, mostra o resultado do processo.

Próximo passo: procure prestar atenção não só nas ideias, mas nas palavras, e na pontuação. Somos condicionados a ler por instinto, tal como andamos ou mesmo respiramos. Seria realmente muito chato ter que agir proativamente para formar cada frase. Com esse instinto, ganhamos também velocidade de leitura. Porém, perdemos a capacidade crítica em relação ao que estamos lendo, não vemos os erros. Quer ver o exemplo máximo do que estou falando?

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Apesar de ser uma importante ferramenta de comunicação, essa habilidade de leitura instintiva precisa ser suplantada pela leitura atenta. Um processo gradual. No começo, você terá alguns minutos de leitura atenta, para, sem querer, voltar a ler instintivamente. Talvez perceba mais alguns minutos depois que perdeu o foco, e retome a leitura atenta. Com o tempo, essa proporção vai melhorando.

A leitura atenta nada mais é do que ler palavra por palavra, frase por frase. Identificar cada vírgula, ler no ritmo desejado pelo autor. Basicamente, é ler devagar.

Vou fazer melhor ainda:

Finja você é o editor da publicação que está lendo. O autor lhe entregou o texto, e cabe a você dar o ok final para mandar para impressora.

Outra hipótese é fingir que você é um professor de redação, corrigindo o texto dos alunos. Tipo eu 😉

Essa é a “brincadeira”. Num primeiro momento, parece que você está procurando os erros no que está lendo. A melhor forma de “engatar” esse método é fazendo isso. Para entender o tipo de leitura que desejo, essa é a forma de explicar que mais funciona.

Vou mostraragora um paradoxo. Acabei de orientar a ler com a postura de um revisor.

Agora, irei propor que você escolha boas fontes de leitura, a ponto de pressupor que ali não haverá nenhum erro de gramática. Como revisar um texto que eu sei que está perfeito?

Essa não é uma revisão do texto, é uma revisão de si. Aquilo que te soar estranho, diferente, inusitado, não é um erro do texto. É um erro seu. É uma questão de lógica: sua opinião versus o texto, só um pode estar certo, o texto está certo, logo…

Percebeu, que interessante? Procure erros no texto. Quando encontrar, na verdade, errado foi o seu julgamento. Achava que aquela palavra tinha acento, mas está escrita sem? Então é sem, você que estava escrevendo errado. Pensava que devia haver vírgula ali, e não tem? Então não tem. Observe a estrutura da frase, tende induzir, a partir dela, a regra geral. Provavelmente precisará ver a mesma construção várias vezes, em situações distintas, para conseguir obter com segurança tal regra.

Temos aqui um ponto importante. À primeira vez em que “estranhar” uma construção, pare um momento, pense sobre ela. Tente identificar qual regra gramatical você errou. A mera grafia de uma palavra dá para resolver de primeira. O aprendizado de construções textuais, por outro lado, dificilmente ocorre de primeira. Colocação pronominal, apesar de ser simples, é algo que se aprende pela repetição. Paralelismo, por sua vez, já é um refinamento; você só começará a prestar atenção nisso quando já estiver em um bom nível de texto.

Esse tipo de leitura, no fundo, parece com um estilo de estudo de questões objetivas para quem já é cascudo. Depois que o candidato já esgotou toda a matéria do edital, já revisou tudo várias vezes, ele parte para os sites de questões, marca um filtro abrangente, como direito administrativo ou raciocínio lógico, e sai fazendo. Aquilo que acerta, deduz que também acertará na prova. Não perde tempo. Marcou. Acertou? Próxima. Já o que erra, para e dá uma pensada na questão, vê por que errou, consulta o material, joga no Google. Gasta alguns minutinhos ali suprindo aquela lacuna específica de conhecimento, que foi responsável por errar uma questão. A tendência é não tornar a errar questões semelhantes. Fazendo isso à exaustão, chega-se perto de poder gabaritar as provas.

Levando essa dinâmica para a leitura, cada uma das suas pequenas falhas será corrigida com o tempo, conforme você for identificando nos textos as versões corretas daquilo que erraria.

Da mesma forma, não fique perdendo tempo em textos que não lhe dizem nada. Se uma construção lhe parece perfeitamente natural, não precisa ficar refletindo sobre ela – ela lhe parecerá natural também na prova. É aquilo que nos intriga que merece atenção. Ali estão as oportunidades de aprendizado. Foco no que errou, não no que acertou.

Abraços!

Professor Ricardo Wermelinger.

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Autor(a): Ricardo Wermelinger

Advogado, Analista da Superintendência de Seguros Privados - SUSEP, já trabalhou na Comissão de Valores Mobiliários - CVM. Começou sua carreira profissional sendo estagiário na Procuradoria da Fazenda Nacional, onde pegou gosto por direito tributário.

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