Dave Scott é um atleta americano que ganhou seis vezes o Ironman no Havaí. Pra quem não sabe, o Ironman é a prova de triatlo mais difícil do mundo. O competidor deve nadar 3,8 Km, pedalar por 180 Km e correr 42 Km, isso tudo em sequência e sem parar!

Dave acreditava que uma dieta rica em carboidratos e pobre em gorduras lhe daria uma vantagem competitiva frente aos seus concorrentes. Dessa forma, Dave lavava o queijo cottage para tirar o excesso de gordura! Você consegue imaginar alguém lavando o queijo cottage para tirar o excesso de gordura?! Que já não tem quase nada de gordura?!

Não acredito que Dave tenha ganhado o Ironman seis vezes apenas por lavar o queijo cottage. Dave treinava muito e não tinha problemas com peso, afinal. Mas as atitudes diárias que Dave tomava (lavar o queijo cottage!), representadas por suas escolhas, é que levaram Dave à excelência.

Nas forças armadas classificávamos essas atitudes como sendo a diferença entre o “bom” e o “excelente”. Um instrutor meu nos fuzileiros navais dizia que o oficial bom se preocupa com seu fardamento, com o corte de seu cabelo, tem uma boa postura e aparenta estar bem vestido. O excelente, além daquilo que o bom faz, se preocupa em alinhar os botões de sua farda de gala. Pra você entender, os botões da farda de gala da Marinha possui âncoras desenhadas e esse instrutor dizia que era preciso apontar as pontas das âncoras todas para o chão para ser excelente (acredite em mim, um leigo JAMAIS iria conseguir perceber que nos botões há âncoras desenhadas)

Assim como Dave, não era apenas apontar os desenhos das âncoras para o chão que tornavam o oficial excelente. Mas sim a vontade de ser melhor, retratada aqui com a preocupação obsessiva com os detalhes e com a qualidade.

Verdade seja dita, para você passar num concurso TOP você tem que ser excelente. Se você for muito bom, você vai ficar no “quase”.

O candidato bom estuda bastante, com constância e qualidade. O excelente, além disso, ataca ferozmente suas deficiências, faz redações, lê normas de maneira constante, faz simulados. Quando ele não entende um assunto, ele sente uma espécie de coceira, típica das pessoas excelentes. Ele não reclama, é proativo e busca, por si próprio, as respostas.

Três diferenças primordiais entre os bons e os excelentes:

1) os excelentes devem, ao contrário dos bons, se esforçar para desistir. A palavra “desistir” incomoda muito as pessoas excelentes. Elas têm pesadelos com isso.

2) o excelente acredita (ainda que não fale) que é excelente. Ele tem uma autoimagem positiva de si mesmo, é coerente e defende com atitudes suas crenças. Logo, fará o que for preciso (lavar o queijo cottage!) para sustentar a qualidade de suas ações.

3) o bom tem um limite e se justifica quando atinge esse limite: “ah, eu mereço me encostar aqui um pouquinho”. O limite do excelente é o cumprimento da missão. O excelente só vai abaixar a guarda quando a missão estiver cumprida.

Ser excelente não é um dom, mas uma filosofia de vida. É ser o próprio vigilante de suas ações e não aceitar que seu nome seja associado a algo mais ou menos (uma redação ou um parecer, por exemplo). Ser excelente é encontrar paixão na jornada e lutar, até as últimas consequências, para entregar o melhor resultado possível.

O cérebro é como um circuito. Quando você estuda ou faz o que for preciso, naquele dia, a despeito do cansaço ou das críticas, você cria uma trilha no seu cérebro, um padrão neural. A cada vez que você diz não à mediocridade ou aos sabotadores, esse padrão será reforçado até que chegará um dia em que ser excelente será sua realidade. Você mudará seu modo de pensar e agir. As pessoas vão procurar você para tarefas difíceis, confiarão em você, pois sabem que você cumprirá a missão de um jeito ou de outro (lembre-se, excelentes tem que se esforçar para desistir).

Recebo muitos e-mails me perguntando sobre o futuro dos concursos, corte no orçamento, impeachment e essas coisas. Confesso que sei pouco sobre o que está acontecendo, pois quase não vejo TV. Mas uma coisa eu sei. Os excelentes estão por aí, em silêncio, lavando o queijo cottage e alinhando os botões de suas fardas. Os excelentes estão comendo os livros com farofa e pólvora. Os excelentes fazem isso, pois, além de serem excelentes, sabem que a vitória é construída na constância, nas escolhas diárias e na disciplina genuína, sem bravatas ou afobação. E sabem que a maioria vai desistir, pois a maioria é composta pelos bons, que não precisam se esforçar para desistir.

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Autor(a): Professor Igor Oliveira

Igor Oliveira é servidor público federal, Analista Técnico da SUSEP. Foi oficial fuzileiro naval e piloto de helicóptero na Marinha do Brasil. Igor faz parte da equipe da coordenação do Ponto dos Concursos.

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