Hoje é meu aniversário e não estou com vontade de escrever sobre concurso público. Como escrevo sobre concurso todo final de semana, achei que poderia quebrar o protocolo no dia de hoje. Minha esposa está rindo aqui do meu lado dizendo que estou escrevendo isso apenas para receber parabéns (rs).

Mas ambos sabemos que é mentira.

Uma das lições que aprendi na vida é sobre fazer apenas o que gostamos. Não é ter uma vida irresponsável e ver TV o dia todo. Pelo contrário! É fazer o que é preciso, mas de uma forma mais sábia, sem esforço, seguindo nossos princípios. Eu já recusei propostas de trabalho que me trariam grandes benefícios financeiros, tudo porque eu não acreditava no que estava sendo discutido. Disseram que eu estava ficando louco, mas dormi tranquilo e não me prostituí trabalhando contrariado.

Quando agimos dessa forma, fazendo apenas o que somos apaixonados, fazemos bem feito. E quando fazemos bem feito, o mundo pede pra gente fazer. Logo, não lhe faltarão oportunidades novas. É uma vida vivida com disciplina, mas seguindo o fluxo natural da criatividade e do trabalho significativo.

É assim que procuro viver: escrevo o que gosto, compro o que estou com vontade, assumo apenas os compromissos que me motivam e, de certa forma, me divertem. Não gasto além do que eu posso, não trabalho em chatices só pra ganhar dinheiro e acredito no que faço. Eu me apaixono e mergulho de cabeça. Foi uma forma que encontrei de viver minha vida de maneira significativa, sem me preocupar com o futuro ou as circunstâncias. Tem dado certo até agora.

Você, no seu atual estágio, pode viver assim também, estudando o que é preciso, mas de uma maneira mais eficiente, remanejando matérias, mudando o material, buscando soluções criativas para render mais nos seus estudos. Mudando sua postura e não criando atritos com a realidade ou com as disciplinas.

Gostaria de compartilhar outras cinco lições que aprendi na minha jornada. São pensamentos aleatórios que, de certa forma, guiam minha vida e que demorei 35 anos para chegar a um esboço. Quem sabe eles não ajudam você, não é verdade? (rs)

– A vida é básica. Vinculamos nossa felicidade a coisas e ao nosso estado de humor. Criamos dependências materiais, afetivas e mentais que de fato não precisamos. Isso tudo são fabricações de sua mente. Nada disso existe. Você é quem criou, deu nomes e valores. As coisas que eu mais gosto de fazer na vida não dependem da situação econômica do país ou das roupas que visto. Tomar café da tarde com minha esposa, caminhar na zona rural da minha cidade em Minas, brincar com meu filho de futebol, meditar, conversar com meus familiares não me custam nada. Eu me perco fazendo isso. Independentemente do preço do dólar ou da alta do combustível, não faltará café com leite, amor, nem o desejo de estar ao lado dessas pessoas.

– Busque paz, não felicidade. O mundo é regido por uma lei dualista: onde há felicidade, há infelicidade. Pobreza, riqueza, competência, incompetência, toda relatividade é criada pelo intelecto humano. Mesmo sem saber, as pessoas querem paz, mas buscam felicidade. Onde? Em viagens, comida, roupas, álcool, no culto ao corpo. Mas isso é fugaz. Quando acaba, você regressa ao seu estado original, se chateia com algo e volta a buscar novamente as respostas certas nos lugares errados. A paz existe independentemente de sua condição financeira ou amorosa. É aquele estado em que flutuamos, absortos no que está acontecendo. Veja uma criança brincando. Aquilo é paz. Nasce com a gente, mas perdemos na jornada. Você vai passar no concurso dos seus sonhos e vai ser muito legal! Você vai ficar muito feliz, assim como eu fiquei. Facilita bastante quando somos aprovados em um bom concurso. Mas não se deixe enganar: a aprovação não significa que você viverá em paz consigo mesmo. Passado algum tempo, você cairá novamente no ciclo de busca. Por isso é comum encontrarmos recém-aprovados em concursos excelentes num estado de agitação misturado com aborrecimento. Aquilo que os motivou por tanto tempo, acabou, e eles voltaram novamente para a busca, mas desta vez sem objetivo aparente. Não vai ter fim, até você entender que o que você busca é paz. Gastei muito dinheiro e tempo até aprender isso.

– Simplifique. Quando simplificamos nossa vida, passamos a enxergar o essencial. A simplificação passa necessariamente por um estado de desapego das coisas materiais. Quando nos livramos da dependência de ter coisas, começamos a dar mais valor aos momentos e às pessoas. Para dar cabimento a meu projeto pessoal eu precisava, de alguma forma, dominar meus impulsos. Assim, decidi que ficaria um ano sem comprar nada. Entre maio de 2013 e maio de 2014 não comprei uma peça de roupa, presente, nada pra mim. Apenas comida. Não foi fácil, mas também não morri por isso. Ganhei um estado de disciplina incrível e me senti maior que meus desejos. Foi glorioso. No final do ano passado aproveitei que minha esposa estava em Minas e dei quase todas as minhas roupas para o porteiro. Olhei pra minha gaveta e pensei: “o que eu não uso há mais de três meses”? Quase tudo! Minha esposa quase me matou, mas provei minha teoria de que precisamos de muito pouco pra viver.

– Não desperdice seus erros. A maioria das pessoas que eu conheço, quando erram, adotam uma postura infantil frente aos erros. Esperneiam, dão chilique e não admitem o fracasso. Os erros são grandes oportunidades na vida da gente. Foi por conta de excessos com comida e gastos que aprendi a me alimentar melhor e descobri o caminho da simplificação. Ao invés de negar os erros, abrace a oportunidade e tenha como meta aprender sempre.

– Compaixão. A melhor maneira de lidar com conflitos pessoais é sendo compassivo, tanto com você mesmo, quanto com as outras pessoas. Se você tem desavenças com alguém ou se você for empurrado no transporte público, não reaja. Aguarde e enxergue aquela pessoa com compaixão. Entenda que ela também sofre e que você não é o foco do mundo. Ela tem os motivos dela de estar correndo ou estar aborrecida. Você vai notar que passará a se estressar bem menos com os outros.

Dizem que nos encontramos no mundo quando morremos em vida. Quando sentimos que nada mais faz sentido e tudo faz sentido. Quando bens materiais, regras e padrões perdem o significado. Falta muito ainda, mas sinto que estou me aproximando aos poucos disso, deixando as correntes mentais no chão enquanto caminho.

Tenho vários ídolos. Um dos mais recentes é um japonês chamado Masanobu Fukuoka. O senhor Fukuoka era servidor público no Japão quando, aos 25 anos, decidiu pedir demissão do seu emprego para viver uma vida simples, de subsistência, na fazenda de sua família. Ele trabalhava uma hora por dia, apenas no que gostava, sobrando-lhe tempo para escrever e cochilar depois do almoço. Mestre Fukuoka desenvolveu uma filosofia de vida baseada na agricultura natural, sem agrotóxicos e com pouca intervenção na natureza. Tornou-se tão bom no que fazia que escreveu livros sobre o tema. O mais famoso, The One Straw Revolution (A Revolução de Uma Palha), tornou-se um clássico sobre filosofia e agricultura natural. Trabalhou como convidado na ONU, palestrou na Eco-92, recebeu o Prêmio Nobel da Paz no extremo oriente e viveu em paz até os 95 anos. Ele só conseguiu realizar isso tudo por ter sido autêntico e ter acreditado no seu sonho. Quando pediu demissão seus familiares o chamaram de louco e seus colegas de trabalho no serviço público japonês perguntaram a ele: “você não está vivendo uma vida de ilusão”? Ele disse: “sou eu mesmo quem vive na ilusão”? É a conclusão que aos poucos tenho chegado. A maioria de nós passa a vida na ilusão.

Assim você já sabe. Se eu sumir daqui um dia muito provavelmente estarei cochilando depois do almoço ou trabalhando uma hora por dia no que eu gosto.

Receba nossas novidades por e-mail

Autor(a): Professor Igor Oliveira

Igor Oliveira é servidor público federal, Analista Técnico da SUSEP. Foi oficial fuzileiro naval e piloto de helicóptero na Marinha do Brasil. Igor faz parte da equipe da coordenação do Ponto dos Concursos.

  • Tem algum concurseiro sonhando com uma aprovação em Brasília? 😉
  • Evite ações que prejudicam o seu rendimento, concurseiro. 😉
  • A gente fica como mesmo? 😂
  • Ser concurseiro não é uma tarefa fácil, mas é possível conciliar o seu bem-estar com esse estilo de vida. O Prof. Wallace Pinheiro preparou um artigo com práticas para melhorar a sua rotina. Confira: bit.ly/artigo_estilodevida
  • Nada é impossível quando temos determinação para alcançar nossos objetivos. 👊🏽
  • Atenção, concurseiro! Está aberto o prazo recursal da AGU para todos os cargos. Nossos professores especialistas estão prontos apara te ajudar a escrever o melhor argumento. Garanta seu recurso aqui: bit.ly/ponto_recurso
  • Às vezes, o dia a dia nos prega algumas peças. Por isso, é preciso estar atento à pronúncia e escrita de algumas palavras. 😉
  • Todo mundo já jogou esse jogo. 🙄

Siga-nos no Instagram

Scroll Up