Nosso cérebro é magnífico, mas não é perfeito.

Ele evoluiu para atender necessidades de sobrevivência que hoje não são assim tão mais necessárias. Nos primórdios da nossa espécie, há milhares de anos atrás, reagir rapidamente a perigos iminentes era uma questão de sobrevivência, afinal de contas não é possível negociar com um tigre dentes-de-sabre.

Realmente, contrapomos velozmente a ameaças próximas, como um cachorro latindo, mas não temos a mesma percepção de perigo quando não poupamos dinheiro para nossa aposentadoria. O fato é que nosso aparato mental não é equipado com um sensor capaz de dar um foco intuitivo a situações que podem nos afetar no futuro, caso não as tratemos no presente.

Além da poupança para aposentadoria, há vários outros exemplos de fatos que negligenciamos e depois nos arrependemos de não termos dado a devida atenção, como a falta de cuidado com nossa alimentação ou o modo como conduzimos nossas relações. Padecemos de uma espécie de “ilusão de profundidade”, que nos desconecta do bom senso quando a consequência da ameaça escapa a nosso horizonte temporal.

De outro lado, quando notamos a presença de um perigo, nosso cérebro comanda a liberação de hormônios que nos preparam para enfrentá-lo. Nossos músculos ficam retesados e nosso coração dispara, antevendo a necessidade de correr ou brigar.

Então temos aqui elementos que, quando misturados, podem gerar consequências desagradáveis:

– não possuímos um radar para perigos futuros.

– reagimos rapidamente a ameaças iminentes.

Quer ver como essa reação pega fogo? Entregue para essa espécie de mamífero um aparelho eletrônico que apita toda vez que algo novo acontece. Resultado: você checando sua caixa de mensagens sem parar, com “medo” da “ameaça iminente”. É engraçado falando de fora, pois parece que estamos tratando de um mecanismo que não nos pertence, não é verdade?

Agora coloque novamente essa espécie de mamífero, equipada com esse cérebro primitivo, no seguinte ambiente: falta de recursos financeiros garantidores de sua sobrevivência imediata + sofrimento para estudar hoje + possibilidade de se livrar disso tudo rapidamente (edital na praça). É meu caro, não há planejamento que resista.

Eu sei muito bem do que estou falando. Experimente convencer uma criança de dez anos (meu filho) que fazer inglês ou comer salada vai evitar muita dor de cabeça no futuro. É um trabalho árduo. Além do meu filho, minha missão diária como coach para concursos é custosa: convencer pessoas com necessidades imediatas irem contra seus instintos de sobrevivência e se aterem ao bom senso. Eu fico no meio da briga milenar entre o funcionamento natural do cérebro e a racionalidade que governa todo progresso estruturado. Há dias em que essa briga parece a própria batalha de Stalingrado. Um desespero.

Como lidar com isso? Deixo abaixo algumas dicas úteis. As duas primeiras refletem a necessidade de trazer à tona problemas futuros. As outras duas dizem respeito ao controle do comportamento impulsivo. Tome nota:

– anote num papel seu planejamento. Quando tiramos nossas intenções do plano das ideias e despejamos em uma folha de papel, tornamos aquelas ameaças distantes em algo concreto, que podemos inclusive manusear. É o equivalente a fazer cálculos para aposentadoria. Ao discutir sobre o tema e transformá-lo em um plano tangível, fazemos aflorar as ameaças futuras, colocando-as no nosso campo de visada.

– afaste-se. Ajuste seu foco não para o concurso em si, mas para um quadro mais amplo, contemplando todos os fatores de decisão: as matérias novas, seu tempo disponível até a prova, seu preparo, enfim tudo aquilo que pode afetar seu desempenho, com base em uma perspectiva realista da situação.

– nunca reaja. Quando um edital aparecer, não tome logo a decisão de fazer aquela prova a todo custo. Se você reagir imediatamente, você estará sendo comandado por circuitos mentais pré-históricos, que irão lhe preparar para uma batalha, estando você preparado para ela ou não. Sente-se, acalme-se e aguarde aquela sensação de urgência se esvair. Com a cabeça no lugar, trace seus planos e tome sua decisão. Como em uma academia de ginástica, quanto mais você “não reage” aos comandos dos impulsos, mais “forte” você se torna.

– respire. A reação para briga ou fuga quando realmente não há nada de concreto acontecendo é conhecido como estresse. Respirar (pelo abdômen, através das narinas) quebra essa reação e joga você em um patamar maior de consciência do que está acontecendo. É como um antídoto que faz você recobrar a lucidez. De posse de um estado mental mais esclarecido, as decisões não terão consequências tão dolorosas.

Como você já deve ter percebido, muitos de nossos fracassos são resultado de uma programação natural do cérebro, que às vezes não está dotado de instrumentos adequados à empreitada. Se você não atuar deliberadamente para contrapor às reações ou a ausência delas (problemas futuros) você será guiado ao sabor dos acontecimentos e poderá sofrer com isso.

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Autor(a): Professor Igor Oliveira

Igor Oliveira é servidor público federal, Analista Técnico da SUSEP. Foi oficial fuzileiro naval e piloto de helicóptero na Marinha do Brasil. Igor faz parte da equipe da coordenação do Ponto dos Concursos.

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