Este artigo não tem cunho político ou de propaganda comercial. É apenas minha opinião sobre os acontecimentos que estamos presenciando no corrente ano e seus impactos na nossa qualidade de vida e na realização de concursos públicos. Por motivos óbvios, não discutirei preferências políticas.

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Tenho recebido diversos e-mails de alunos me perguntando sobre a situação política e econômica atual do país e como isso pode impactar na oferta de concursos públicos. Realmente 2015 está sendo um ano agitado. Veja abaixo alguns trechos de notícias selecionadas:

“Democracia é não se calar”!

“Estudantes debatem custo de vida”.

“Brasil pede respeito à pluralidade”.

“Queda de 6% na produção da indústria”.

“Área econômica e BACEN preveem alta na gasolina”.

“Economia – começa a chegar a conta”.

Essas notícias se enquadrariam aos episódios do corrente ano, não fosse o fato de elas tratarem de eventos antigos. A primeira, por exemplo, é de 1980, ano em que nasci. A dos estudantes é de 1981.

Não é a primeira vez que nosso país enfrenta uma crise institucional desse porte. Para dar uma contextualizada no que está ocorrendo, vou assoprar a poeira de algumas páginas da história.

Segundo Daron Acemoglu e James Robinson, na majestosa obra Why Nations Fail (Porque as Nações Fracassam), um fator primordial para uma nação se sair bem é, na sua história, ter havido o crescimento de uma classe média. Em países desenvolvidos, como a Austrália, por exemplo, devido à dificuldade em se obter mão de obra local, a recente Nação se viu obrigada a contratar trabalhadores livres. E trabalhadores assalariados precisam comprar sua comida, pagar por sua moradia e diversão, o que demanda o surgimento de uma classe média ligada a, principalmente, oferta de serviços e produtos.

Ora, classe média grande significa uma maior distribuição de riqueza e poder. E classe média com poder constitui a capacidade de eleger seus pares para comandar a Nação. Bingo! Na Revolução Gloriosa, ocorrida em 1688 na Inglaterra, foi mais ou menos isso que ocorreu. A classe burguesa, cansada de ser mandada, destituiu o rei, acabou com o Absolutismo e instituiu o Parlamentarismo, vigente até hoje naquela Nação. Não é coincidência a Inglaterra ter sido pioneira da Revolução Industrial. Esse é um dos efeitos do poder distribuído: a classe média atua a seu favor, o que acaba ajudando o país como um todo a se desenvolver. Pense comigo: se a classe média é a fornecedora de bens e serviços, o que ela quer? Que a economia se desenvolva. E quando a economia se desenvolve mais empregos são gerados. Mais renda distribuída. É o que os autores chamam de “ciclo virtuoso”.

Países da África Subsaariana, como o Congo, por exemplo, presenciam, até hoje, uma forte concentração de poder na mão de poucos. E esses poucos, que estão nadando no conforto, não têm muito interesse em melhorar nada. No Congo então, o negócio é feio. Só a título de curiosidade, o mandante não melhora as estradas do país para não dar mais mobilidade às tropas de seus adversários. É isso mesmo que você ouviu: detonar a Nação de forma deliberada apenas para se manter no poder. É o chamado “ciclo vicioso”, pelos brilhantes pesquisadores.

Agora você consegue entender mais ou menos porque o Rio Grande do Sul é mais desenvolvido que o Maranhão. Poder distribuído. Comércio. Classe média.

Claro gente, isso aí tá muito resumido, deve ser relativizado e aplicado a cada caso concreto, mas no fundo foi o que aconteceu em países mais desenvolvidos que o nosso: surgimento de classe média seguido por representatividade política. Poder distribuído. Aumento na distribuição de renda.

E no Brasil?

A possibilidade de se empregar mão de obra escrava diminuíram as chances de nascimento de uma classe média. O poder era (e de certa forma ainda é) concentrado. Quando houve a mudança do polo econômico para o café, o nosso país presenciou o surgimento de uma classe média. Ainda assim, na fase cafeicultora, a nossa classe média era meio tímida, se compararmos com aquelas que surgiram em outros países, como os EUA, por exemplo. Mesmo na maior economia do mundo, o Norte era mais desenvolvido que o Sul. Isso porque, no Sul a escravatura era mais enraizada que no Norte. De novo: economias movimentadas por mão de obra escrava tem dificuldade de distribuir renda e poder por intermédio de uma classe média.

Não sou historiador, mas parece que nossa classe média tem acordado aos poucos e cobrado representatividade efetiva daqueles que foram eleitos para governar o país em seu nome. Vide as manifestações ocorridas hoje, dia 15/03/2015. E, conforme vimos acima, isso não é ruim. Isso é bom pra xuxu!

Além do surgimento de uma classe média com consequente distribuição de renda e poder, os autores apontam, como fator de sucesso de uma Nação, a confiabilidade de suas instituições. E no Brasil o que são as instituições? Serviço Público (o maiúsculo é proposital). Posso estar divagando, mas seguindo a doutrina dos professores, poder distribuído e fortalecimento do Serviço Público andam de mãos dadas. Inclusive, eles fornecem uma série de exemplos reais no livro.

Além disso, uma Nação do tamanho da nossa, com a economia girando em torno de alguns trilhões de dólares, precisa de um Serviço Público competente, que regula, fiscaliza e cobra. Em todos os países desenvolvidos é assim. Não poderia ser diferente.

Mais ainda: levando em conta o curtíssimo prazo, as pessoas se aposentam, morrem, mudam de profissão, deixando inúmeros cargos vagos por aí.

Assim, não se preocupe jovem guerreiro, pois concurso público haverá. E digo mais: provavelmente haverá um fortalecimento das instituições democráticas, inclusive a prestação de um Serviço Público de qualidade.

Visão

Quando me apresentei no meu primeiro (e único) Esquadrão de Helicópteros, logo no primeiro mês vi que seria um risco não me preparar para sair dali. As contas do mês fechavam de forma apertada e o trabalho era extremamente puxado. Eu não sabia se queria ser servidor público, mas não dava pra esperar minha situação piorar para estudar, pois, dependendo do grau e do mérito da piora, estudar poderia se tornar inviável.

Comecei estudando de forma tímida, mas cadenciada, até que o interesse se transformou em paixão e a paixão em amor. Acabei saindo das Forças Armadas quando ainda conseguia estudar. Alguns colegas de turma pagaram para ver. Uns estão felizes, se encontraram, outros arrependidos, pois agora não tem ânimo, nem tempo para se dedicar a qualquer outra coisa além do próprio trabalho. É uma espécie de “ciclo vicioso” pessoal, onde romper o “status quo” vigente exige um dispêndio de energia maior que a gerada.

Eu tive algo que definiu para sempre o rumo da minha vida: “visão”. Não estou dizendo que você deve fazer concurso público. Não acho o serviço público a panaceia de todos os males. No entanto, se você quiser passar num concurso público, você deve, neste ano de 2015, ter visão. Muitos não têm resiliência de se manter estudando e estão abandonando o barco. Outros, mais previdentes, estão tocando sua vida, mantendo o estudo, esperando a poeira abaixar e as autorizações voltarem a aparecer.

Sim meu nobre guerreiro, aconselhar ser previdente é clichê, antigo por sinal. Fecho com um a frase publicada na Folha de São Paulo em abril de 1951:

“Não deixe para última hora para se preparar para um concurso público”.

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Autor(a): Professor Igor Oliveira

Igor Oliveira é servidor público federal, Analista Técnico da SUSEP. Foi oficial fuzileiro naval e piloto de helicóptero na Marinha do Brasil. Igor faz parte da equipe da coordenação do Ponto dos Concursos.

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