“Se você estivesse se sentindo um merda e quisesse desaparecer, você iria pra onde?” – Fizeram-me essa pergunta uma vez no Instagram (@danuzioneto) e agora vou responder melhor.

Bem, se fosse uma viagem no tempo, eu voltaria pro domingo em que tomei banho de piscina pela primeira vez, com 22 anos, na AABB de São Luís. Eu ganhava um salário de R$ 900,00 à época, mas fui tomado, naquele dia, por um sentimento forte de que tinha vencido na vida.

Várias vezes voltei àquele lugar com minha família. Tinha uma estrutura velha. Tobogãs feitos de plástico desbotado. Um salão de jogos melancólico feito de tacos soltos e sinucas empoeiradas. Mas havia uma alegria pequeno-burguesa ali que me deu um sentimento de pertencimento, como se, só a partir dali, eu finalmente estivesse existindo.

Da minha adolescência, eu gastava quase todos os meus fins de semana lendo livros e escrevendo versos – que era todo o entretenimento que meu orçamento poderia suportar. Não houve festas ou idas aos cinemas. Tevê por assinatura ou passeios de carro. E uma vez que consegui chamar uma garota pro shopping, tive de torcer muito pra ela pedir o lanche kids do McDonald´s. Tive ainda de dizer que já tinha comido em casa, pra não passar ainda mais vergonha. Era mais ou menos assim que, entre um perrengue e outro, eu tentava ser feliz.

Tudo parecia impossível àquela época. E tudo era realmente impossível. Ainda mais quando tudo o que você tem são cadernos velhos rabiscados e uma vontade forte de ter uma vida um pouco diferente. Assim, eu nunca que poderia acreditar que um dia passaria num concurso pra Auditor Fiscal, e que isso aconteceria antes dos meus trinta anos. Mas foi assim. Foi assim desse jeito que aconteceu. E sempre que vejo uma pessoa pobre que estuda muito sofrendo em meio a angústias diárias, eu tenho vontade de falar que aquilo é só uma fase. Mas é difícil acreditar que tudo é apenas uma fase quando cada dia que passa é um peso no orçamento e no coração, quando o tempo parece passar apenas para fazer todos os dias serem iguais, numa ciranda de desesperança e desilusão que parece que nunca ter fim.

Hoje eu só queria dizer, seja pra quem for, que tudo passa. Mia Couto já até disse que Deus é muito preguiçoso, pois não trabalha, só faz milagres.

E eu acredito!

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Autor(a): Professor Danuzio Neto

Licenciado em letras pela Universidade Estadual do Maranhão, exerce, atualmente, o cargo de Agente Fiscal de Rendas da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo. Anteriormente, já exerceu também os cargos de Técnico Judiciário do Tribunal Regional do Trabalho da 16ª Região e de Escriturário do Banco do Brasil.

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