Este é um artigo sobre fé e princípios. E gostaria de começar contando uma história pessoal.

Quando criança, meu sonho sempre foi ser piloto de caça. E, no Brasil, o caminho a ser trilhado, por quem deseja pilotar um caça, começava, necessariamente, em Barbacena/MG, na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR). Digo “começava”, porque hoje em dia, a Marinha do Brasil também possui caças.

Ocorre que, às vésperas do ano em que iria começar a estudar para o concurso da EPCAR, o então Presidente da República, Sr. Fernando Collor de Mello, fechou a escola, em 1990. E, conforme se comprovou posteriormente, não havia indícios de que a EPCAR seria reaberta tão cedo. Foram tempos difíceis pra todo mundo, com inflação beirando os 2.000% ao ano, aperto financeiro para maioria das famílias, impeachment do presidente e poupança confiscada.

Fiquei triste, bem aborrecido mesmo, mas me agarrei naquilo que era sólido, a despeito de todo esse tumulto: princípios.

Princípios podem ser definidos como um arcabouço de procedimentos ou atitudes praticamente imutáveis, que resistem ao tempo. Um exemplo de princípio é “cuidar da saúde”. Tanto faz se há 100 anos atrás ou hoje, é consenso que “cuidar da saúde” é muito importante. E, dentre os princípios que me guiavam à época, o mais importante foi “ser dedicado nos estudos”. Não importava se iria pra EPCAR ou se faria vestibular para uma Universidade. Ser dedicado nos estudos era algo que estava totalmente sob meu controle e que, certamente, me levaria a algum lugar bom.

Para resumir um longo processo, acabei por fim passando para o Colégio Naval, o equivalente da EPCAR, só que pertencente à Marinha do Brasil. Por uma coincidência absurda do destino, dez anos depois de ter entrado na Marinha, tornei-me piloto de helicóptero.

Perceba que não trilhei o caminho que planejei, mas meus princípios acabaram me levando para um lugar bacana, tão bom quanto aquele que havia sonhado.

Foi assim também quando estudei para concurso público. Iniciei meus estudos para o Tribunal de Contas da União (TCU), mas, no ano que estava afiado nos conteúdos das disciplinas, o edital do TCU mudou completamente o conteúdo programático e o concurso veio voltado para Engenharia Civil. Não tive tempo hábil de estudar tudo e acabei não logrando êxito na prova. No entanto, meses depois, fui aprovado para a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), local em que trabalho até hoje e que me sinto muito confortável e contente. Mirei numa coisa e acabei acertando em outra, ótima também, tudo por conta de meus princípios.

Não importa a época ou a conjuntura, se você se dedicar aos seus estudos, algo de bom estará esperando por você.

“Ah Igor, mas e se o Presidente Bolsonaro diminuir a quantidade de concursos”?

Ninguém sabe o que realmente vai acontecer. No entanto, pela minha experiência:

1) Estado não é Governo. Em que pese estarem interligados, Estado e Governo são entidades distintas. Governo é temporário e escolhido pelo povo a cada eleição. Estado é permanente e se constitui das instituições, que, por sua vez, são compostas por servidores públicos civis ou militares.

A não ser que mude completamente a CF/88, o que considero uma hipótese muito remota, concurso público continuará sendo a forma de ingresso no serviço público, civil ou militar.

Noticia-se a diminuição de ministérios, o que poderia levar a menos cargos. Mas, ainda assim, o Estado precisará de servidores, para ocupar os postos vagos. Pessoas morrem, aposentam, mudam de profissão e, hora ou outra, os cargos precisarão ser ocupados.

Veja o exemplo da EPCAR. Ficou fechada até 1996, quando reabriu. Uma nação do tamanho do Brasil precisa de pilotos militares. Ponto. Assim como precisa de auditores, analistas e técnicos.

Outro exemplo bem contundente é o do atual Governo Temer. Apesar de ter sido um Governo pós-impeachment, com alto índice de rejeição e no meio de uma crise econômica braba, ainda assim, em 2018, tivemos um porção de oportunidades de ouro (ABIN, STJ, STM, PF, um penca de TRT’s, SEFAZ’s). Mais uma vez: o Estado é maior que o Governo.

2) Sua vida melhora quando você melhora.  O ex-vendedor de água, Rick Chester, ao ser indagado por Danilo Gentili, no programa The Noite/SBT, sobre qual a principal forma de ajudar as pessoas, foi genial em sua resposta: “convencendo-as de que elas são as verdadeiras protagonistas de suas vidas”. Esse é o espírito. Tem que parar com a choradeira, a enxurrada de “se isso, se aquilo”, sentar e estudar. Ninguém, absolutamente ninguém neste mundo está mais interessado em sua vida que você mesmo(a). Eu posso estar ajudando você ao escrever este artigo, outras pessoas também podem. Mas a responsabilidade de sentar, estudar e vencer é APENAS sua. Só sua. O Governo pode influenciar suas decisões, claro, mas não sua atitude ou seus princípios. Cuidar da saúde, gastar menos que se ganha, cultivar bons relacionamentos, estudar, ser dedicado no trabalho são princípios que independem de Presidente, de Governo, da chuva ou do sol. Dependem apenas de você. Não saiu como planejado? Adapte-se! A vida é impermanente. A EPCAR fechou e eu tive que tomar uma decisão: estudar ou reclamar. Fiquei com a primeira. Não fui piloto de caça, mas fui de helicóptero e vivi momentos incríveis.

Para fechar, só gostaria de esclarecer dois pontos:

1) Este artigo não é um incentivo para que você estude pra concurso, tampouco pra você comprar curso no Ponto. Você estuda ou compra se você quiser. É uma decisão que cabe somente a você. No entanto, acredite em mim: sempre haverá oportunidades para os melhores preparados. SEMPRE. Pode não ser o que você planejou inicialmente, mas certamente é algo bom. O país está em crise desde o dia que eu nasci, mas, ainda assim, sempre testemunhou vitórias de pessoas dedicadas. A maior crise está dentro de nós mesmos.

2) Faltou falar sobre fé. A eleição acabou. Falando francamente, não importa “seu lado”. Agora somos todos Brasil. Não existe mais esse lance de nós e eles. Somos todos brasileiros e o fracasso do Presidente Bolsonaro é o nosso fracasso. Por exemplo, eu não votei na Dilma na eleição retrasada, mas, no dia seguinte à sua vitória, rezei, pedi a Deus, para que ela fosse a melhor líder possível, porque, se ela mandasse mal, acabaria afetando minha vida de alguma forma ou das pessoas que gosto. Vingança ou pensamentos mesquinhos só fazem mal pra gente. Também não acho que você não deveria deixar de fiscalizar o novo governo, se essa for sua vontade. Faça aquilo que acha certo. Mas, confie em mim, nunca deixe de lutar por você, para melhorar a sua própria vida.

Quero fechar com duas indicações, que, de certa forma, complementam este artigo:

  • Entrevista do Rick Chester no programa The Noite. Clique aqui.
  • Filme Invictus, com Morgan Freeman.

Bons estudos!

Igor.

 

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Autor(a): Professor Igor Oliveira

Igor Oliveira é servidor público federal, Analista Técnico da SUSEP. Foi oficial fuzileiro naval e piloto de helicóptero na Marinha do Brasil. Igor faz parte da equipe da coordenação do Ponto dos Concursos.

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