Prezados alunos, seguem os comentários a respeito das questões de Língua Portuguesa da prova do concurso TRE RJ AJAA e AJAJ.

  1. De acordo com as ideias e aspectos linguísticos trazidos ao texto “Estado e interesses coletivos”, pode-se afirmar que:

D.

Indicação de necessidade: “…é necessário haver uma palavra…”; indicação de característica comunicacional: a própria mensagem transmitida, que é um dos três elementos básicos da comunicação (ao lado do “emissor” e do “receptor”); indicação de nominalização para determinado conceito: “Estado”.

  1. “É um grupo de funcionários sui generis, no seio do qual se elaboram representações e volições que envolvem a coletividade, embora não sejam obra da coletividade.” (2º§) Acerca da estrutura linguística e conexões estabelecidas no interior do trecho destacado anteriormente, analise as afirmativas a seguir.

[…]

Pode-se afirmar que:

C.

Questão aparentemente complicada. Mas observe o primeiro item. Ele não menciona a oração subordinada adjetiva na composição do período (“que envolvem a coletividade” – “que” = as quais). Outra coisa: as duas primeiras orações (observe os verbos) são coordenadas entre si; não há relação de subordinação entre ambas. Já a terceira oração é subordinada (adjetiva restritiva) em relação à segunda. Finalmente, a última oração é subordinada (adverbial concessiva) à terceira.

  1. Considere o segmento “[…] o Estado só percebe o eco enfraquecido.” (2º§). Pode-se afirmar que a partir do recurso de linguagem utilizado pelo enunciador na escolha da palavra “Estado”, identifica-se

D.

Questão difícil. O examinador fez distinção técnica entre “termo” e “palavra”, apesar de geralmente serem empregados indistintamente pelo falante/usuário comum da Língua Portuguesa. Um “termo” é uma unidade linguística constituída de uma ou mais palavras num contexto oracional,com uma função e utilizado para designar um conceito. Uma palavra é uma unidade linguística formal provida de valor(es) semântico(s). A palavra “estado”, por exemplo, pode ser compreendida como um substantivo que designa, por exemplo: I) condição de uma pessoa ou coisa em determinado momento; II) cada uma das divisões político-geográficas de uma nação; III) forma de apresentação da matéria, de acordo com a sua estrutura molecular. Como termo, “estado” assumiu, no contexto oracional,a função de sujeito da forma verbal “percebe” e uma conceituação política.

  1. Leia e analise as sugestões de alteração a seguir e assinale como alternativa correta aquela em que a correção e a coerência do texto seriam preservadas.

C.

Em relação à primeira alternativa, pode-se até discutir se a relação da qual a locução “por todos os lados” participa é de modo ou lugar, mas certamente não é de consequência.

Já na segunda alternativa, entendo que haveria a possibilidade de emprego da preposição “a” se o paralelismo sintático não fosse afetado. Para isso, a tal preposição também deveria ser empregada no trecho seguinte: “ao grupo complexo”. Com sentido de nomear, qualificar, apelidar, o verbo chamar aceita, indistintamente, objeto direto ou indireto e, ainda, predicativo desses objetos preposicionados ou não (Chamei-o/lhe (de) inteligente – tanto faz).

Na quarta alternativa, o verbo concorda com o sujeito oculto “ele” (que retoma “estado”). Como o núcleo do predicativo também está no singular (“grupo”), o plural do verbo é inadequado.

  1. “Assim, fala-se em Estados europeus, diz-se que a França é um Estado. Porém, como é bom que haja termos especiais para realidades tão diferentes quanto a sociedade e um de seus órgãos, chamaremos mais especialmente de Estado os agentes da autoridade soberana, e de sociedade política o grupo complexo de que o Estado é o órgão eminente.[…]” (1º§) Considerando o trecho destacado anteriormente, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

[…]

A sequência está correta em

A.

A segunda afirmativa é falsa porque o sujeito da forma verbal “fala-se” é classificado como indeterminado, e o sujeito de “diz-se” (forma verbal flexionada na voz passiva sintética) é a oração iniciada pela conjunção integrante “que”.

  1. Considerando os textos “Estado e interesses coletivos” e “Estado e liberdade”, pode-se afirmar que o conceito e ideias relacionados a Estado

C.

Questão sobre intertextualidade. Uma leitura atenta era necessária. Quem leu o texto às pressas deve ter tido dificuldades.

  1. Acerca das relações estabelecidas entre termos regentes e termos regidos, assinale a afirmativa cuja expressão indica correção.

C.

Não há crase na estrutura SINGULAR + PLURAL (“a todas”). A crase é proibida diante de palavras com sentido indefinido, impreciso. Em “contrário à liberdade”, a crase ocorre por causa da contração entre a preposição “a” (exigida pela regência do nome “contrário”) e o artigo definido “a” (que acompanha o nome “liberdade”). Cuidado com o blá-blá-blá do examinador.

  1. Acerca das ideias expressas no texto, pode-se afirmar que:

A.

A fundamentação da resposta está muito clara no quarto parágrafo.

  1. Dentre as afirmativas a seguir acerca das estruturas linguísticas do texto, assinale a correta.

B, com ressalva.

Acredito que faltou o examinador indicar também a mudança necessária na letra maiúscula em “Para o poder…”. Repare que, com a substituição proposta pela banca, outras decorrentes deveriam acontecer, e elas foram quase todas indicadas. Faltou a que eu apontei: “Assim,para o poder emanar do povo…”. Mudar apenas o que o examinador disse não torna o trecho gramaticalmente correto.

  1. Em situação específica de uso da correspondência oficial, foi requerido ao funcionário encarregado de tal trabalho de preencher o endereçamento da mesma. A seguir, apresenta-se o resultado para tal solicitação (de caráter hipotético):

[…]

Pode-se afirmar que:

[…]

Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)

B, com ressalva.

Não ocorre crase diante do pronome de tratamento Vossa (ou Sua) Excelência. Como a correspondência destina-se a um juiz, o vocativo deve trazer a forma “Senhor Juiz”.

Agora preste atenção. É possível alegar que, de acordo com as próprias informações apresentadas pela banca, ainda que numa situação hipotética, claro está que a correspondência destina-se a um juiz, ou seja, a uma autoridade do Poder Judiciário. Não faz mais sentido pensar em alguém de outro Poder. A questão está não foi muito bem formulada.

Outro ponto ao qual o candidato pode se ater para formular um recurso: o tal do suposto vocativo apresentado pela banca. Pode-se alegar indução ao erro, pois não se configura tecnicamente a presença de vocativo como padronizado pelo Manual de Redação da Presidência da República. De acordo com o exemplo dado, o vocativo para o caso hipotético é “Senhor Juiz”, e não “A Sua Excelência o Senhor”. A item III já sugere que o vocativo (“Senhor, seguido do cargo respectivo”) é diferente da forma apresentada no item I. O problema do item III não está na forma do vocativo (“Senhor, seguido do cargo respectivo”), mas sim no fato de a banca sustentar que ela é facultativa.

Abraços!

Professor Albert Iglésia!

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Autor(a): Professor Albert Iglésia

É graduado em Letras pela Universidade de Brasília (UnB) e tem especialização em Língua Portuguesa. Ministra aulas voltadas para concursos públicos desde 2001. Iniciou suas atividades como professor no Rio de janeiro. Atualmente, leciona aulas de interpretação de texto, gramática e redação oficial em alguns cursos preparatórios em Brasília. Além disso, é professor do ensino médio de um colégio público federal no DF. Já atuou como instrutor da Esaf, da Casa Civil da Presidência da República e de outras instituições voltadas para a capacitação de servidores públicos.

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