Olá, nobre leitor!

No artigo de hoje, eu trago para você considerações importantes sobre regência verbal. Comecemos nossa conversa trazendo à memória conceitos de transitividade verbal. Você se lembra disso? Não é nenhum “bicho de sete cabeças”! Quer ver?

Verbos cujos complementos (objetos diretos ou objetos indiretos) lhes integram os sentidos são classificados como transitivos. Estão divididos em:

a) transitivos diretos: seus complementos (objetos diretos) não são introduzidos obrigatoriamente por preposição;

Em (2), a preposição “A” é empregada simplesmente por motivo de ênfase, e não pela exigência da transitividade do verbo. Nesse caso, o complemento vem preposicionado; contudo funciona como objeto direto.

b) transitivos indiretos: seus complementos (objetos indiretos) são necessariamente introduzidos por uma preposição, exceto quando empregado um pronome oblíquo átono (me, te, se, nos, vos, lhe);

Há também verbos considerados de sentidos completos, por não exigirem complementos que lhes integrem os significados. São conhecidos como intransitivos.

Todos esses verbos são considerados nocionais (possuem valor semântico, denotam acontecimento, fenômeno natural, desejo, atividade mental).

Existe ainda uma categoria de verbos que precisa ser mencionada aqui. É a dos verbos de ligação, também considerados não nocionais ou copulativos. Esses verbos, de significados indefinidos (ou predicações incompletas), unem (ligam, servem de “ponte”) o sujeito da oração a seu predicativo (função esta desempenhada por adjetivos, substantivos ou pronomes).

Verbos de ligação denotam situação permanente, situação transitória, mudança de situação.

(8) João é estudioso. (situação permanente)

(9) João está cansado. (situação transitória)

(10) João ficou alegre. (mudança de situação)

Estaria tudo muito bom se as coisas fossem tão certinhas assim, não é mesmo? O fato é que a classificação de um verbo em transitivo direto, transitivo indireto, transitivo direto e indireto, intransitivo ou de ligação depende muitas vezes das relações semântico-sintáticas entre os termos da oração.

(11) João anda cansado.

(12) João anda depressa.

Em (11), o verbo (“anda”) denota o estado de “João” no momento da fala e liga o sujeito da oração (“João”) ao seu predicativo (“cansado”). É, pois, verbo de ligação (copulativo, não nocional).

Em (12), o mesmo verbo agora indica a ação exercida pelo sujeito. É, pois, verbo intransitivo (nocional). Note que o vocábulo “depressa” não integra o significado do verbo, mas indica a circunstância (de modo) em que a ação é desenvolvida.

Uma vez entendido o porquê da classificação de um verbo em transitivo (direto; indireto; direto e indireto), intransitivo ou de ligação, já estamos aptos a tratar especificamente da regência de alguns verbos. Mas isso ficará para o próximo artigo. Antes, porém, vamos analisar uma questão de prova de concurso.

(Consulplan/2016/Pref. de Cascavel-PR/Professor)

A regência verbal pode variar ainda que se trate de um mesmo verbo. Tal fato ocorre vinculado a uma diversidade de significados que o mesmo pode conter e apresentar de acordo com o contexto em que está sendo empregado. Em “Aprendi a ler antes dos cinco anos.”, a regência do verbo em destaque tem por justificativa

a) a atribuição de significado do verbo fora do usual.

b) o objeto regido ser constituído de oração infinitiva.

c) o emprego do tempo e modo verbais diante de infinitivo.

d) a associação entre duas formas verbais cuja regência é equivalente.

e) a intencionalidade do enunciador de conferir destaque ao complemento verbal.

Comentário – O verbo “aprender” foi usado em seu sentido comum (obter conhecimento, compreensão ou domínio de; adquirir a habilidade de; tornar-se adestrado em), por meio de estudo ou prática. Nesse sentido, ele é transitivo direto quanto à regência. O emprego da preposição “a” para reger seu complemento tem a ver com o fato de o objeto ser constituído por uma oração com verbo no infinitivo (“a ler”).

Resposta – B.

Abraços!

Professor Albert Iglésia.

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Autor(a): Professor Albert Iglésia

É graduado em Letras pela Universidade de Brasília (UnB) e tem especialização em Língua Portuguesa. Ministra aulas voltadas para concursos públicos desde 2001. Iniciou suas atividades como professor no Rio de janeiro. Atualmente, leciona aulas de interpretação de texto, gramática e redação oficial em alguns cursos preparatórios em Brasília. Além disso, é professor do ensino médio de um colégio público federal no DF. Já atuou como instrutor da Esaf, da Casa Civil da Presidência da República e de outras instituições voltadas para a capacitação de servidores públicos.

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