A suspeita da Polícia Federal (PF) envolvendo o ex-presidente Lula e o tal sítio em Atibaia (SP) agora está preocupando até os concurseiros de plantão. Isso porque muita gente está falando (ou escrevendo) bobagem. Uma reportagem do jornal O Globo (disponível em http://oglobo.globo.com/brasil/lula-enviou-pertences-sitio-de-atibaia-ao-deixar-governo-diz-revista-18667452 e acessada em 13/2/2016) noticiou o seguinte:

“SÃO PAULO — O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou seus pertences e de seus familiares ao sítio em Atibaia logo após deixar o governo, segundo informou a revista “Veja” nesta sexta-feira. Notas fiscais e ordens de serviço de uma das transportadoras contratadas pelo governo federal indicam que parte da mudança foi remetida para a propriedade no interior de São Paulo. Entre os itens transportados, haviam 200 caixas — 37 delas continham bebidas, segundo o documento apresentado pela revista. A entrega do material no sítio aconteceu em 8 de janeiro de 2011, dois meses após a compra do imóvel em nome dos empresários Jonas Suassuna e Fernando Bittar, que são sócios de Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do ex-presidente.”

Você observou o verbo em negrito? Pois é, ele não deveria ser flexionado no plural. Ainda que tenham sido transportadas muitas caixas, o verbo haver com sentido de existir deve permanecer na terceria pessoa do singular: “Entre os itens transportados, havia 200 caixas”.

Em casos como esse, o verbo haver é impessoal, ou seja, não tem sujeito. O termo “200 caixas” funciona como objeto direto dele. Você também sabe que o verbo não tem obrigação de concordar em número e pessoa com seu complemento.

Caso o verbo existir fosse utilizado no lugar do haver, tudo bem, o plural estaria correto: “Entre os itens transportados, existiam 200 caixas”. Agora, o termo “200 caixas” funciona como sujeito.

Bem, não sei qual a sua opinião sobre o caso investigado pela PF, mas asseguro que você pode acreditar no que eu estou lhe dizendo.

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Autor(a): Professor Albert Iglésia

É graduado em Letras pela Universidade de Brasília (UnB) e tem especialização em Língua Portuguesa. Ministra aulas voltadas para concursos públicos desde 2001. Iniciou suas atividades como professor no Rio de janeiro. Atualmente, leciona aulas de interpretação de texto, gramática e redação oficial em alguns cursos preparatórios em Brasília. Além disso, é professor do ensino médio de um colégio público federal no DF. Já atuou como instrutor da Esaf, da Casa Civil da Presidência da República e de outras instituições voltadas para a capacitação de servidores públicos.

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