A maioria de nós acredita que já nasceu com capacidades fixas e imutáveis de concentração, disciplina e comprometimento.

E mais: atribuem a responsabilidade de suas atitudes a eventos internos e externos. Por exemplo: “eu sou ruim em matemática, porque nunca entendi essa matéria”. Ou ainda: “eu não consigo estudar, pois sou viciado no smartphone”. Mais outro: “eu sou estúpido com minha esposa, porque meu pai me batia quando era criança”. Por fim: “eu vou tratar meu filho bem quando ele me tratar bem”.

No extremo da cegueira estão as pessoas que decidem ignorar o problema, como se não fizessem parte dele, como, por exemplo, os pais que pedem ao psicólogo dar um jeito em seu filho, quando na verdade a culpa é dos próprios.

Na verdade, todos esses freios mentais são autofabricados. Disciplina e comprometimento são comportamentos, não sentimentos, e, como todo comportamento, partem de uma escolha.

Em que pese a influência do meio, no fim do dia, a capacidade de escolha ainda continua na mão da própria pessoa. De fato, muitas vezes nós não temos controle sobre o que chega até nós como estímulo interno ou externo. No entanto, nós temos controle sobre a resposta que damos a esse estímulo. Essa habilidade de se comportar de maneira diferente do que pensamentos possui muitos nomes: sabedoria, honra, lidar com pressão, atitude. Enfim, o nome não importa. A essência aqui é que você quebre essa noção fixa de que nossos sentimentos e pensamentos sempre regulam nosso comportamento.

O que você acredita influencia sim seu comportamento, mas o contrário também é verdadeiro. Nas forças armadas, por exemplo, você é obrigado a sempre agir com disciplina. Você não é obrigado a “pensar” com disciplina, mas sim a “agir”. Com o passar do tempo, o comportamento, de maneira bem sutil, regula a emoção e você passa a acreditar que é a pessoa mais capaz, disciplinada e comprometida do mundo.

Não há desculpas para mau comportamento. A não ser que você tenha três anos de idade e não possua maturidade para lidar com todo esse processo.

O sentimento não é o comportamento

Quando aplicamos nossos esforços para estudar de forma disciplinada por um tempo, mesmo indo contra ao que sentimos ou pensamos, passamos, aos poucos, desenvolver uma ligação com os estudos.

Através de seu comportamento você consegue moldar seus pensamentos. Você “finge” ser disciplinado para se tornar disciplinado. No início é difícil, claro. É como se existissem duas entidades: uma que não quer fazer e outra que está fazendo. Você age de forma estranha a que está acostumado ou que acredita ser verdade. No entanto, é bem semelhante ao processo de aquisição de preparo físico. Comece devagar que, quando menos notar, estará bem.

A medida em que você pratica aquilo que você não gosta, tal comportamento, com a repetição sistemática, vai se tornar um hábito. Olhando hoje eu vejo o quanto meu estudo era arrastado, até meio chato, monótono, no início. Depois de um tempo me comportando com disciplina, fui me tornando experiente e adquirindo certo traquejo. Insisti até que o hábito estava totalmente consolidado e eu, estudando “no automático”.

Sendo assim, se você quiser mudar seu comportamento, tornar-se uma pessoa mais disciplinada,  mais comprometida, menos ansiosa, mais calma, basta que você comece a agir como você gostaria de ser! Durante seus estudos, sintonize sua força de vontade que, aos poucos, você passará a ter bons sentimentos quanto à atividade.

É o que chamo de “sacrifício consciente”, por meio do qual você se torna uma pessoa melhor a partir de sua ação, não de sua emoção.

É preciso muita força de vontade para quebrar um pensamento antigo, já instalado. Mas é muito recompensador. Abaixo algumas dicas para ajudar você a mudar seu comportamento:

– Nunca reclame – tanto mentalmente, quanto verbalmente, não caia na tentação de reclamar dos estudos. Quando você reclama é como se você estivesse alimentando um padrão mental negativo, que vai contra ao que você está querendo se tornar. Ou seja, você está se autossabotando.

– Abrace o desconforto – não julgue os estudos como algo chato ou mais uma tarefa a ser cumprida no seu dia. Assuma que é um momento bom, que você irá aprender coisas novas. Nos fuzileiros, quando submetidos a uma situação de desconforto, é comum gritarmos juntos: “adoramos”! Assumindo que aquela é a nossa realidade a partir de agora e que estamos contentes de estar ali, a despeito do desconforto.

– Bote seu filho na jogada – mesmo que você não tenha um filho, imagine, caso tivesse, como você gostaria que ele agisse na mesma situação? Reclamando? Com preguiça? Indisciplina? Tenho certeza que não. E como você gostaria que ele enxergasse seu comportamento? Com orgulho? Sempre que o desânimo bater à sua porta, pense: “como eu gostaria de ser visto pelo meu filho”? Essa frase tem um efeito poderoso, pois, naturalmente, todos queremos ser exemplos para nossa prole.

– Não vai cair do céu – todos os alunos indisciplinados que atendi desejavam ser mais disciplinados. Quando perguntados o que estavam fazendo para serem mais disciplinados respondiam: “nada, mas um dia eu serei”. Ora, o dia é hoje! Se você acha que você vai mudar com o tempo sem agir no momento presente você está se enganando! O momento de agir é agora. Não vai cair do céu uma pílula mágica que vai tornar você a pessoa comprometida que você gostaria de ser. Lembre-se: não espere um estímulo externo ou interno guiar sua ação. Aja!

Um resumo de tudo

– Assuma a responsabilidade pela sua vida.

– Pare de dar desculpas por mau comportamento. Comportar-se é uma escolha, não um sentimento.

– Aja da maneira que você gostaria de ser. O pensamento não é o comportamento. Você nem precisa gostar de estudar, basta que você estude.

– Se você agir como um Cavaleiro da Távola Redonda, você será um Cavaleiro da Távola Redonda.

– Se você agir com disciplina e comprometimento, você será disciplinado e comprometido.

– Como toda habilidade nova, tenha paciência para os resultados aparecerem.

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Autor(a): Professor Igor Oliveira

Igor Oliveira é servidor público federal, Analista Técnico da SUSEP. Foi oficial fuzileiro naval e piloto de helicóptero na Marinha do Brasil. Igor faz parte da equipe da coordenação do Ponto dos Concursos.

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