A frase que compõe o título deste artigo é uma que eu tenho lido e escutado com frequência nos últimos dias.

Não somente lido e escutado, mas tenho também vivenciado situações concretas de desistência mesmo.

E quem sou eu para julgar tal atitude!? A época é, de fato, muito complicada para quem se dedica aos estudos para concursos públicos, até um pouco deprimente, caso escolhamos ser um pouco mais dramáticos.

Ao final desse artigo, elaborei uma espécie de questionário com algumas questões que me perguntaram desde a publicação do recente Decreto de regras para liberação de novos concursos pelo Poder Executivo Federal.

Não vou mentir, até porque nem consigo fazer isso! Sou bem sincero e as minhas opiniões, (quem me acompanha, sabe disso) costumam ser até criticadas. Já fui chamado de profeta do apocalipse em razão de alguns artigos que eu escrevi sobre o futuro dos concursos públicos após a tomada de posse do Ministro Paulo Guedes, mas quem relê-los, principalmente o abaixo, perceberá correspondência com a realidade.

E agora o que será dos concursos públicos?

Mas eu sou assim. Não sou pessimista e nem otimista. Costumo ser realista e emitir juízo em razão do que eu acompanho em termos políticos e econômicos. Não vou vender ilusões nos meus artigos. Não escrevo com a preocupação de ter alunos ou não no coaching. Não sou de vender falácias para manter o meu faturamento. Enfim, não tenho o perfil de capitalista inescrupuloso. Dinheiro é muito importante, mas não é o fim principal da minha vida, nem de perto, e é até por isso que sou servidor público.

A minha opinião é de que os bons tempos de concursos passaram, infelizmente. E ele não volta no curto prazo, até porque não acredito na eleição de um governo com viés mais progressista em 2022. Não arrisco dizer em reeleição do atual governo, até porque ainda é tudo muito incipiente, e dependerá das melhorias vindouras. Entretanto, acho possível a eleição de alguém de posição mais moderada, de centro, nas próximas eleições, mas que não priorizará o serviço público como nos anos recentes.

Se pegarmos o histórico dos concursos públicos no Brasil, veremos que os salários sofreram muitas perdas inflacionárias desde o final dos anos 70 até o início de 2002. Isso só veio a ser corrigido com o governo petista a partir de 2003, com a contratação de milhares de pessoas, principalmente até o ano de 2008, quando tivemos um reajuste nos salários de valor diferenciado.

Concurso público não era meio de vida nos anos 90, e digo isso porque presenciei essa época. A minha escolha profissional na Engenharia se deu no meio dos anos 1990, e nenhum dos meus colegas de escola sequer comentava sobre ser concurseiro ou fazer uma faculdade pensando nisso. Alguns poucos faziam Direito porque queriam se tornar Juízes ou Promotores, mas não se conhecia sobre os demais cargos públicos, e não se ventilava ser servidor público naquela época, pois era algo até um pouco pejorativo. A fama não era das melhores. A não ser aqueles que moravam em Brasília, local onde se vive o serviço público de fato, ou Rio de Janeiro, antiga capital da república, concurso público não era popular como é hoje, nem de perto. Estou relatando o que vivi. Servidor público, nos anos 80 e 90, não era uma boa profissão, com raras exceções, como Auditor da Receita Federal e Servidor do Banco do Brasil.

Ninguém cogitava ser agente de Polícia Federal naquela época. Quem viveu nos anos 80 se lembra das fotos dos fiscais da Sunab acompanhados por agentes da PF barrigudos usando coletes fiscalizando o congelamento de preços. Qual jovem queria seguir aquelas carreiras naqueles anos?

Hoje, a situação é bem diferente! Ser um agente da PF, ou trabalhar em órgãos como AGU, CGU, Bacen, Planejamento entre tantos outros é motivo de orgulho e status! Os servidores foram valorizados, assim como a maioria dos órgãos públicos. Profissionalizaram-se bem as atividades e contratou-se pessoas de excelente nível técnico, até porque os salários progrediram. Isso se deu entre 2003 e 2012. Um pouco dessa profissionalização se iniciou, porém, em 1995, com a reforma de estado do FHC, e a definição mais nítida das atividades típicas de estado. A criação das Agências Reguladoras após as privatizações foi algo importante também nesse sentido. Passamos por um tempo de valorização do Estado.

A partir de 2013, não obstante, a situação muda. As vagas de concursos começaram a reduzir e a negociação salarial de 2014/15 já foi muito complicada, com proposta de reajuste muito baixa, e que só restou flexibilizada em razão da tentativa da então Presidente de evitar a greve e pressão dos servidores públicos em período de ameaça de impeachment.

O número de vagas nos concursos foi bastante reduzido, e elas caíram fortemente já em 2015, tendo sido 2014 um bom ano ainda.

Ou seja, desde 2015 a situação já não é muito boa. Não temos RFB, AFT, CGU, Bacen, MDIC, Susep,  CVM, EPPGG, APO etc. desde 2014. Não temos Senado e Câmara desde esse ano também.  Salvo raras exceções nos estados e Judiciário, a maré não está para peixe há cinco anos. Já estamos nas vacas magras há bastante tempo, e isso não mudou somente em 2019.

O seu futuro, então, é algo a se pensar. A água bateu nos glúteos de muitos. Mas sempre lembrando que é totalmente plausível conciliar estudos e trabalho paralelo. Nada de desespero então!

Enfim, segue um pequeno questionário com algumas observações, perguntas que eu recebi, e atitudes que eu tomaria se estivesse: desempregado, concursado com um salário não muito bom, ou concursado com um bom salário, mas sem perspectiva de abrir o concurso dos sonhos.

1 – O Decreto 9.739/19 para abertura dos concursos vale somente para o Executivo?

Sim, mas acho que pode influenciar os demais Poderes, além de estados e municípios, priorizando-se a informatização de atividades com aumento de eficiência, fato esse que já ocorre na iniciativa privada, com extinção de profissões outrora bem demandadas. Entretanto, as carreiras com atividades típicas não podem ser substituídas, então os concursos para elas sempre existirão.

2 – O fato de a LDO não prever concursos para 2020 é uma falácia? Ué, a LDO deve ser respeitada, ou não? É sim um impeditivo a não previsão de vagas nela, a não ser que tenhamos justificativas plausíveis para a mudança do texto. Destacando que 2020 pode não ter previsão de nomeação, mas as provas poderão ser realizadas.

Leia mais AQUI.

3 – Não teremos mais concursos públicos no Executivo Federal então?

Longe disso. O decreto veio para aumentar a eficiência. Teremos sim, pois órgãos específicos estão sofrendo muito com o quantitativo reduzido de servidores, como a CGU e o Bacen. Os concursos de segurança pública também serão valorizados, e já estamos vendo isso. PF, PRF, Exército etc. Os de combate direto à corrupção também, como a CGU. E outros.

4 – Então teremos concurso para a CGU? Quantas vagas? Para quais áreas?

Sim, acredito fortemente nessa possibilidade. Penso em cerca de 300 vagas para as 4 principais Secretarias da Casa.

5 – Com a autonomia do Bacen, teremos concurso em breve?

Também acredito fortemente nessa possibilidade, fazendo com o que Bacen se torne um foco muito interessante.

6 – E AFT?

A julgar pelas notícias atuais, nesse governo não sai.

7 – RFB?

Não acredito também no curto prazo. O órgão é gigante e a capilaridade é monstra, mas possui muitos servidores (cerca de 20 mil entre ativos e terceirizados). Está implantando o tele trabalho, diminuindo o CAC, fechando unidades e reestruturando-se completamente. Apostaria em 2021.

8 – Senado e Câmara?

A julgar pelas aparências, também não acredito nesse mandato atual. Mas posso ser surpreendido. De todo modo, não seria o meu foco principal. Estabeleceria o foco neles como uma segunda opção.

9 – Tribunais do Judiciário?

Esse sim seria um foco interessante no momento atual. A meu ver, esses concursos se salvarão no curto e médio prazo, caso a economia melhore um pouco.

10 – TCU?

Sim, acho que teremos em breve, mas com poucas vagas. Eu estudaria em conjunto para a CGU, TCU, TCDF e área de Controle em geral. Especificamente para o TCU, somente se já tivesse trabalhando em um cargo bom atualmente.

11 – Membros do Poder Judiciário?

Esses não param.

12 – Você mudaria o foco para concursos estaduais e municipais?

A depender do meu foco, com certeza. Se estudasse para a área fiscal, por exemplo, certamente iria de ICMS e ISS no momento. Os concursos estaduais e municipais continuam saindo.

13 – Você largaria o seu emprego atual para estudar?

De modo algum. O momento não é adequado para essa decisão.

14 – Caso estivesse desempregado, você voltaria a procurar emprego?

Dependeria da minha situação. Se fosse de uma família abonada que me sustentasse sem pressão, ou se tivesse uma boa reserva financeira, esperaria mais um tempo para fazer o estudo completo das matérias. Assim que estivesse bem nelas, tentaria voltar ao mercado e estudar no meu tempo livre.

15 – Você abriria uma franquia?

Acho uma boa saída para quem está desesperado para trabalhar, e tem uma grana boa para investir em algo. E, de modo paralelo, manteria estudando pelo menos entre 18 a 21 horas líquidas semanais.

16 – Você mudaria de profissão?

Sim, tanto que já fiz isso, e hoje curso a faculdade de Direito. Só que isso é bem pessoal.

17 – Você desistiria?

Jamais, mas eu gosto de estudar e não me vejo no mercado de trabalho na iniciativa privada. Mas a minha vida é a minha vida, e consegui entrar no momento certo no setor público. Mas cabe a cada um analisar com calma o que estudar para concursos representa em sua vida.

18 – Você acha que vai melhorar o cenário dos concursos?

Sim, vai, mas não consigo dizer quando. Não estou muito esperançoso nos próximos dois anos. Não vejo mais concursos com 1000 vagas como tivemos antigamente. Sinceramente, nem se voltasse o PT, algo que, convenhamos, é bem difícil de acontecer. Mas os concursos vão ocorrer sim. O Estado continua, nem que de forma mais reduzida.

19 – Você acha que os salários ficarão ruins no médio prazo?

Não vejo, no atual momento, possibilidade de mais reajustes salariais. Entretanto, caso a reforma de previdência seja aprovada, o argumento do reajuste seria mais forte, e pode ser que tenhamos algo em 2021. Mas sempre no limite da inflação. Não vejo esse governo dando aumento para os servidores acima do patamar inflacionário.

20 – Você acredita na redução dos salários iniciais dos servidores públicos do Executivo Federal para cerca de R$ 5.000,00 reais?

No atual momento, não acredito mais que isso passe no Congresso.  É um paradoxo: redução de salário inicial representaria a disponibilização de mais vagas?

21 – O FHC era liberal e fez vários concursos. Por que isso não aconteceria agora?

FHC não era liberal. Era de pensamento mais social democrata, de centro. Seu ministro do Planejamento era o Bresser Pereira, profundo estudioso da administração pública. Fez-se uma reforma administrativa na época valorizando carreiras de estado. O ministro atual da Economia não tem essa visão, e o curto prazo não mostra, a meu ver, essa tendência.

Bom, é isso, pessoal!

Faça a sua análise pessoal, meu amigo e minha amiga. Procure ler mais sobre economia, administração pública, a fim de entender a situação do país. Leia e ouça também a opinião de mais pessoas do ramo. Mas não deixe se levar por opiniões tendenciosas. Vemos muita gente que pensa somente no próprio bolso quando te diz para ser muito otimista, que nada vai mudar etc. Com certeza você tem que ser otimista não só nos estudos, mas na vida, e em tudo o que você faz! Mas acima de tudo, seja realista. Prudência não faz mal a ninguém. Não aja somente com a emoção. Seja racional ao analisar a sua vida, pois ela é o que mais importa.

O que eu posso lhe dizer após esses meus 40 anos de vida é: não sofra demais, pois não vale a pena. A vida passa muito rapidamente, e o sofrimento nos envelhece mais rápido. Ao agirmos com fé, dedicação e disciplina, sempre alcançamos o sucesso, não só profissional, mas também pessoal, sendo um bom pai, uma boa mãe, um bom filho etc. A parte profissional é essencial, mas de que adianta se destruir física e emocionalmente para ter sucesso profissional?

No final, SEMPRE dá certo. Entretanto, o caminho a ser percorrido para dar certo pode ser do jeito que achamos que seria, ou não! Grande abraço!



Facebook: Técnicas de Preparação para Concursos Públicos

Instagram: @brunofracalossipaes

YouTube: Canal do Bruno Fracalossi

Ponto dos Concursos: Coaching Bruno Fracalossi

Bruno Fracalossi – Pioneiro no mercado de Coaching para Concursos no Brasil – Mais de 7 anos de atividades (desde 2012), e mais de 1.000 alunos treinados de forma individual.



Receba nossas novidades por e-mail

Autor(a): Professor Bruno Fracalossi

Bruno Fracalossi é Auditor Federal de Finanças e Controle da Controladoria-Geral da União, exercendo suas atividades na Corregedoria-Geral da União. Já foi Analista-Tributário da Receita Federal do Brasil. Graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Goiás e atualmente cursando Direito no IESB/DF. Pós-graduado em Gestão Pública com ênfase em Ciência Política e em Auditoria Financeira pela UNB/ISC-TCU. Autor do livro Guia Completo das Carreiras Públicas Federais pela editora Impetus. Coach com quase quatro anos de experiência, e com mais de 800 alunos treinados, sendo inúmeros já aprovados. Professional and Self Coach/Leader and Manager as a Coach/Analista Comportamental certificado pela Sociedade Latino Americana de Coaching (SLA Coaching) com reconhecimento da International Association Of Coaching. Membro da Sociedade Latino Americana de Coaching. Um dos pioneiros no mercado de Coaching para Concursos no Brasil.

  • Mais alguém acha que 24h ainda é pouco? 😂
  • Essa confunde muita gente. Fique a essa dica! 😉
  • O edital do TJ/CE foi publicado e preparamos aulões gratuitos para você ficar afiado para a prova. Confira as datas: bit.ly/auloes-tjce
  • Confiar em si mesmo é essencial para os que acreditam no próprio sucesso. Você é capaz, concurseiro, pense nisso!
  • Apenas aja naturalmente. 😂
  • Vamos colocar em prática ações que ajudam a melhorar seu desempenho? Lembre-se: tudo depende de você! Foco, concurseiro! 💪🏽
  • O que você tem feito para alcançar o melhor?
  • Aquela doce ilusão. 🙄

Siga-nos no Instagram

Scroll Up